Hiroshi Bogéa – A política está presente em cada canto da nossa vida, mesmo quando fingimos que ela não tem importância. Está no remédio que falta na farmácia popular, na comida que chega — ou não — à mesa de uma família, na escola que acolhe nossos filhos, no direito de uma mulher viver sem violência e na possibilidade de um jovem construir o próprio futuro.

Por isso, antes de escolher um candidato, vale a pena fazer um exercício de consciência: pense naquela pessoa da sua família que depende de medicamentos para sobreviver. Pense na mãe que luta para colocar comida na mesa. No jovem que precisa de oportunidades para estudar. Nas mulheres que enfrentam a violência, nas pessoas LGBTQIA+ que ainda lutam pelo direito de existir sem discriminação e em tantas outras pessoas que precisam de proteção, respeito e dignidade.

Agora, pergunte a si mesmo: que tipo de sociedade eu quero deixar para essas pessoas?

O voto não é apenas uma escolha individual. É também uma decisão sobre o destino coletivo. Quando colocamos uma cédula na urna, ajudamos a definir quem terá acesso à saúde, quem poderá estudar, quais direitos serão respeitados e quais grupos sociais serão protegidos ou abandonados.

Não se trata de votar apenas em quem pensa como nós, frequenta os mesmos lugares ou compartilha nossas crenças. Trata-se de avaliar propostas, conhecer trajetórias, observar compromissos e compreender as consequências das escolhas políticas para a vida real.

O candidato pode até conquistar nossa simpatia com discursos bonitos, promessas grandiosas e vídeos emocionantes. Mas a pergunta decisiva continua sendo outra: o que ele fará pelas pessoas que mais precisam?

Uma sociedade justa não se mede apenas pela riqueza que produz, mas pela maneira como trata os mais vulneráveis. Não basta desejar prosperidade para nossos filhos se ignoramos as crianças que passam fome. Não basta defender a liberdade da nossa família se negamos aos outros o mesmo direito. Não basta pedir paz dentro de casa enquanto aceitamos o ódio como instrumento de disputa política.

 

 

A democracia exige consciência, responsabilidade e empatia. Exige que a gente olhe além dos próprios interesses e compreenda que ninguém vive isolado dos demais. O sofrimento de uma família que não tem o que comer também diz respeito a quem tem a mesa farta. A falta de medicamentos para um desconhecido também revela o tipo de país em que todos nós estamos vivendo.

Antes de votar, pense em quem você ama. Mas não pare aí. Pense também em quem você nunca conheceu, em quem vive longe da sua realidade e em quem precisa de oportunidades que talvez você já tenha tido.

Porque o verdadeiro compromisso com a família não termina na porta de casa. Ele se amplia quando entendemos que todas as famílias merecem dignidade, proteção e esperança.

No fim das contas, o voto revela mais do que uma preferência política. Revela, também, um pouco da sociedade que desejamos construir.

E o Brasil que deixaremos para as próximas gerações começa a ser construído pelas escolhas que fazemos hoje.